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As pegadas da coelha

"Transforma-te na tua melhor versão"

Da bela da posta à mirandesa à erva de lameiro

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Desde que há cerca de dois anos comecei a interessar-me pelo vegetarianismo e veganismo, numa vertente alimentar pensava eu, até me deparar com um ciclo vicioso que abrangia todas as ações do meu dia-a-dia.

É realmente uma filosofia de vida, uma comunhão com a natureza e com todos os outros seres que nela habitam. Dei por mim a não dar um passo sem pensar nas questões ambientais e no sofrimento dos animais, no que comia, no que vestia, nos utensílios que usava, até a porcaria da escova de dentes era derivada de animais... É realmente traumático, mais vale ser ignorante! 

 

Este bichinho apareceu através do contacto com amigos veganos e vegetarianos, os livros também são culpados, nomeadamente o Poder Sem Limites do Tony Robbins e como se não basta-se fui cuscar o documentário Cowspiracy o que foi o fim da picada.

 

Mudei completamente a alimentação e fui do 8 ao 300, tirando todos os componentes de origem animal e foi uma fase onde realmente te sentes um alien: "bates-te com a cabeça?", "tira fotos a tudo o que comes, para podermos ter provas do que morreste", "não tens pena da plantas também?", "estas a perder a cor", "temos bifanas, mas se quiseres também há muita erva de lameiro lá fora"...

 

Foi realmente uma fase onde fui acarinhada por todos e mais alguns e onde o simples facto de tomar o pequeno almoço fora se torna um verdadeiro desafio, esquece a torrada com manteiga e a meia de leite, o bolinho de arroz ou a bela da tosta mista. Houve também aqueles episódios e gente que tentou ser querida e me ligaram quando estavam em frente à montra do take-away: "tem filetes de pescada comes, não comes? Não comes... e bacalhau? Olha tem também salmão" :P

 

Com esta mudança radical, lá se foram uns quilinhos à vida e o que é certo é que me senti bastante bem, em harmonia com a vida, mais responsável e bem-disposta. Conheci gente nova e interessante, fui a convívios vegetarianos, workshops, encontrei produtos naturais para saúde, alternativas de cosmética, visitei novos restaurantes e descobri um leque de sabores, ingredientes e temperos.

 

Ao mudar de emprego tive de repensar os meus novos hábitos, pois deixei de ter tempo para pesquisar sobre nutrição e receitas, não conseguia preparar as minhas refeições, tinha de me contentar com o que os restaurantes me podiam oferecer, salada de alface e tomate, que tanta vez me sujeitei. A rainha lá de casa, apesar de esforçada e com muito boa vontade não tinha conhecimento deste tipo de alimentação, conjugado com a minha falta de disponibilidade decidi voltar a implementar derivados e peixe na alimentação para não descompensar nutricionalmente.

 

Para felicidade de muitos, deixei de ser tão rígida no que se refere à ingestão de carne, embora ainda a restrinja em casa, mas em ocasiões especiais de convívio abro exceções para não ser o empecilho.

Fiquei feliz por conseguir pelo menos levar umas mentes mais teimosas a experimentar novos sabores e a respeitarem um bocadinho mais a minha decisão. Pena que não hajam grandes opções para alimentação vegana na restauração, nas antinas e que a mentalidade ainda esteja muito aquem do esperado.

 

Foi de facto uma experiência muito enriquecedora, numa onda muito natural que espero agora voltar a dedicar-me mais, pelo menos no que toca à alimentação, cuidados de saúde e beleza. 

Vou partilhando alguns posts sobre o tema e espero que partilhem comigo as vossas experiências nesta onda de Cruelty Free.

 

 

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